Um ônibus é multado no Rio a cada 5 minutos - FENASDETRAN - Federação Nacional das Associações de DETRAN

Um ônibus é multado no Rio a cada 5 minutos

No último dia 14, uma segunda-feira, em cinco minutos, dois coletivos atravessaram o sinal vermelho, em meio ao vaivém de veículos na Av. Presidente Vargas, no Centro. Passaram impunes, já que, ali, não há radar nem havia guarda municipal ou agente de trânsito. Mas, mesmo se fossem autuados, as penalidades poderiam não resultar em punição aos condutores, como mostra levantamento feito a partir de dados do Detran-RJ.

Os números revelam que, em média, a cada cinco minutos, um coletivo é multado no estado. Nos primeiros cinco meses deste ano, foram aplicadas 46.460 multas a ônibus, incluindo os de transporte público e os que fazem serviços privados para, por exemplo, agências de turismo, escolas e condomínios. Mas, em 76% dos casos, as empresas não informam quem foi o motorista que cometeu a infração, contribuindo para a impunidade no trânsito.

Segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), ao não informar o nome do condutor, as empresas são obrigadas a pagar não só a infração como uma segunda multa, de mesmo valor da que foi aplicada. E, em caso de reincidência nos últimos 12 meses, o valor é multiplicado por cada nova penalidade.

Esse tipo de multa (não identificação do condutor infrator, imposta à pessoa jurídica) começou a ser aplicada pela prefeitura em 2011 e lidera o ranking das infrações mais cometidas por ônibus este ano: 15,6 mil, o equivalente a 34% do total. Em seguida, estão o excesso de velocidade (32% da multas), transitar fora das faixas exclusivas (9%), e o avanço de sinal (9%).

No topo das mais multadas, está a Viação Verdun, com só 4 linhas que ligam a Zona Norte ao Centro e à Zona Sul. A empresa levou 9.757 multas (19 por dia, em média). Mas só informou o motorista de 16 (0,16% do total). Em 2º lugar, vem a Transurb, com 6 linhas: levou 7.902 multas e informou o infrator em 3.102 (39,26% das vezes). A São Silvestre, com 9 linhas na Zona Sul, ficou na 3ª posição, com 7.259 multas. Mas só em dez (0,14% do total), o infrator foi identificado.

Há 17 anos no volante, um motorista da Verdun diz que as empresas descontam dos condutores os valores de cada penalidade, mas não informam aos órgãos autuadores para não ficarem sem os profissionais, que perderiam pontos na carteira. Quando chegam a 20 pontos, eles não podem mais dirigir e precisam fazer uma reciclagem.

O levantamento revela ainda que, de 2007 a 2016, as empresas acumularam dívida de R$ 8 milhões em multas não pagas. Nos cinco primeiros meses de 2017, ainda não pagaram R$ 3 milhões (44%).

Os consórcios admitiram obstáculos para transferir aos motoristas a multa aplicada, por “resistência do profissional” ou pela demora em serem comunidados da multa. A Secretaria municipal de Transportes disse que dará continuidade ao programa de reciclagem dos motoristas.

Fonte:https://extra.globo.com