Diretor-geral do Detran diz que vai deixar o cargo e anuncia candidatura - FENASDETRAN - Federação Nacional das Associações de DETRAN

Diretor-geral do Detran diz que vai deixar o cargo e anuncia candidatura

No cargo desde 2011, Marcos Traad anunciou que vai tentar se eleger deputado estadual - Marcos Traad esteve à frente das principais mudanças no Detran-PR (foto: Geraldo Bubniak)

Um zootecnista comandando o Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR). Num primeiro momento, pode causar estranhamento. Mas sete anos depois, a decisão do governador Beto Richa em nomear Marcos Traad como diretor-geral do Detran-PR, em janeiro de 2011, quando iniciava seu primeiro mandato a frente do executivo estadual, mostra ter sido acertada.

Em entrevista concedida ao Bem Paraná na sede do Detran, na véspera do Carnaval, Traad fez um balanço de seus sete anos comandando a autarquia, apontou quais suas expectativas com relação ao futuro da instituição — e também o de seu próprio — e ainda comentou sobre o lançamento recente de seu livro, “Gestão para resultados – Muito além da teoria”.

Na obra, o autor tenta dissociar a sua imagem da do Detran ao contar um pouco sobre os seus mais de 30 anos de vida pública, período no qual acumulou experiências na presidência da Codapar (Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná), na diretoria do Pólo Regional de Pesquisa do Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), na diretoria do Departamento de Pesquisa e Conservação da Fauna de Curitiba, além de sua atuação como professor da PUCPR, entre outros.

Vida esta, inclusive, que deverá ganhar em breve um novo capítulo. Traad planeja concorrer a uma vaga como deputado estadual neste ano — o que o forçaria a deixar o cargo que ocupa nos próximos meses. No momento, porém, a única coisa certa é que em 2019 o Detran, independentemente do resultado das eleições, terá um novo diretor-geral. Uma questão de princípio. “Fiquei duas gestões no Detran acreditando que deveria ter ficado uma”, afirma Traad.

Perguntado sobre qual o Detran que aquele que vier a lhe suceder — seja nos próximos meses ou no final do ano — irá encontrar, Traad é confiante.

“Quem me suceder, vai encontrar um Detran mais moderno, com pessoas menos estressadas, com uma carteira de projetos em andamento e outros que pretendemos encaminhar. Um Detran mais eficiente, com um ambiente interno culturalmente melhor e também uma organização interna, em algumas áreas, melhor. Uma instituição aberta ao diálogo, o que eu acredito que é um processo irreversível, e com um corpo gerencial de servidores estatutários comprometidos com o processo de gestão da instituição”, diz.

‘Eram muitos desafios’

Bem Paraná — Quando o senhor assumiu o Detran quais eram os desafios?
Marcos Traad — Eram muitos desafios. Tínhamos um problema de infraestrutura, com nossas unidades próprias sem qualquer tipo de intervenção ou reforma por muitos anos, num processo de depreciação que desqualificava a nossa instituição diante do contribuinte. Os servidores também estavam desanimados, sem expectativa de futuro, e havia um isolamento do Detran, da instituição, de seus parceiros externos (centros de condução de contudores, despachantes, clínicas e etc).

BP — Qual o balanço que faz das duas gestões a frente da autarquia?
Traad — O balanço, na minha opinião, é extremamente favorável. Estou muito satisfeito com o que fizemos ao longo desse período porque tem sido uma gestão participativa, o que dá muito trabalho.
As grandes realizaçõe do Detran estão focadas na melhoria do trabalho, no ambiente interno. Vamos deixar todas as 87 unidades prontas e reformadas até meados de 2018, fizemos a reformulação de todo o parque de computadores e já estamos na segunda substituição de computadores do Detran. Antigamente as quedas de sistema eram muito mais frequentes do que hoje.

BP — E na relação com o usuário?
Traad — Criamos o Detran Fácil, que já realizou mais de 15 milhões de atendimentos com um nível de satisfação extremamente elevado. Então os investimentos na área de tecnologia foram significativos.
Tem ainda o projeto das pessoas do Detran, num processo de melhoria da remuneração dos servidores, principalmente os estatutários, com funções gerenciais comissionadas, que são conseguidas através de teste seletivo interno. O Detran é o primeiro órgão e talvez seja o único do país que faz isso por mérito.

BP — E quais os próximos passos, os projetos que o Detran pretende dar encaminhamento?
Traad — Os próximos projetos estão sempre volados à percepção do que é a atribuição pública específica. Nesse aspecto, outro avanço significativo é que nós intensificamos de forma exponencial as fiscalizações. O Detran não fiscalizava quem quer que seja. Em 2010 foram 45 visitas. Em 2016 visitamos 1,4 mil estabelecimentos. Em 2017 foram cerca de 1,9 mil estabelecimentos e em 2018 serão cerca de 2,3 mil estabelecimentos visitados. Ou seja, todos aqueles que tem qualquer tipo de relação com o Detran e que precisem de alguma atividade de fiscalização ou inspeção serão visitados. É uma meta audaciosa que foi cumprida.

BP — Como avalia o perfil e a cultura de trânsito dos motoristas?
Traad — O perfil do curitibano é um pouco diferente, algo que verificamos nas pessoas que vivem em meio urbano, porque a condição de estresse aumenta. Agora, o perfil do motorista do estado está melhorando, as pessoas estão passando a dar atenção para as situações de risco, seja através da intensificação das atividades de educação para o trânsito ou das fiscalizações que estão sendo mais intensivas. As pessoas as vezes não gostam disso, mas se nós passassemos a ter um comportamento diferente no trânsito, nem precisaria ter fiscalização. Ela existe porque transgredimos.

‘Fiquei duas
gestões, acreditando que deveria ter ficado uma’
BP — 2018 é ano de eleições. Se houvesse um convite para o senhor permanecer à frente do Detran em 2019, estaria disposto a aceitar?
Traad — Não, porque tenho um princípio. Fiquei duas gestões no Detran acreditando que deveria ter ficado uma. No entanto, vi que pelo fato de a equipe ter tido um entrosamento significativo, talvez se tivessemos ficado numa gestão só muitas coisas que planejamos não conseguiriamos colocar em prática. E o período de maior produtividade foi a 2ª gestão. Nossa primeira gestão foi muito boa, mas pouco intensiva em projetos. Na segunda a equipe estava entrosada e isso foi importante para consolidar projetos que ainda não tinham sido executados. Fico muito feliz de ter contribuído esse período todo, mas pretendo concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado.

BP — E quais serão as suas bandeiras nessa nova empreitada no mundo da política?
Traad — O que eu posso dizer é que se as pessoas passarem a avaliar de que forma que o histórico de vida do cidadão que pretende ser candidato contribui com a sua decisão na hora de atribuir um voto de confiança numa eleição, a probabilidade de haver pessoas pelo menos com experiência e conhecimento suficiente do processo legislativo, do executivo, para fazer melhor, vai acontecer. Mas não é meramente uma questão de renovação, mas de condução daqueles cujo perfil mostrou resultado, porque há políticos mais antigos que têm um trabalho fantástico, e renovação com aqueles que buscam uma concorrência num novo cenário e que tem atribuições profissionais, curriculares e pessoais.

BP — De onde veio a ideia de produzir o livro?
Traad — A ideia do livro surgiu por essa angústia de toda vez que eu falava com alguém, as pessoas passavam a me identificar como Marcos Traad do Detran, porque a última incubência foi a mais intensiva. Então resolvi mostrar que apenas 1/5 da minha vida profissional é Detran, mostrando meu roteiro rofissional: de onde eu surgi, como é que eu evolui na carreira pública, e também procurei colocar minha visão crítica sobre desenvolvimento, sobre papel do Estado, a minha visão ideológica, que eu nunca deixei de lado na minha vida profissional. Então procurei no livro transcrever isso e os leitores que tiverem atenção para ler vão perceber que minha vida profissional transcende o Detran. E aí tem também a vida pessoal, a música, motocicleta, família, atividades associativas, sindicais.

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